sábado, 26 de setembro de 2009

Sangria III


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Entre cólicas
contorcia-se silêncio
inundava-se poesia.

Foi assim que se soube
ovário e útero.


Lou Vilela



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14 comentários:

Adriana Godoy disse...

Um expressão tão poética para um momento doloroso, embora belo. Lindo. beijo.

Úrsula Avner disse...

Oi Lou, bonita analogia entre o processo de criação poética e a gestação. Ás vezes versejar é como parir e vem com dores, seja no silêncio ou no grito, mas quando nasce a poesia é só sorriso ! Bj.

BAR DO BARDO disse...

Excelente.

Sensibilidade para tanto.

Adorei!

Wania disse...

Poesia... por vezes parida à ferro e fogo!

Muito liiiiindo o teu espaço e as tuas escritas, Lou!
Gostei demais!

Vim agradecer e retribuir a tua visita!
Voltarei mais vezes,
Bjs

Mirse Maria disse...

Muito Lindo, Lou!

Há realmente uma con-torsão, no ato da criação

Belíssimo!

Beijos

Mirse

Kanauã Kaluanã disse...

Também gosto de ir percebendo o corpo do texto [uterino] dos seus versos.
Dilatam-se palavras...

E tantas vezes, para sentir "vida", tem-se de sangrar.

Um abraço.

(E um obgigada também).

Katyuscia.

Kanauã Kaluanã disse...

Lou, seu poema está "plantado" qual mandacaru em solo prenho, menina.

Grata pela pétala de "fulô" que você deixou chover ali...

Lindíssima tua forma de sen.tir o ser.tão! Daquela beleza que se vê à luz de candeeiro, quando a alma se "alumia" tal vaga-lume aceso por palavras.

Beijos.

Katyuscia.

Moacy Cirne disse...

O processo:
a beleza:
o útero:
a poeteza.

E um abraço,

romério rômulo disse...

lou:
passo para te ver.
romério

Adriana Karnal disse...

Lou,
a primeira leitura que fiz do poema foi a da menina que aprendeu pela dor sua natureza feminina, mas depois reli e são tantas interpretações...gosto desses poemas com mil olhares.

guru martins disse...

...estás
ou estive
naqueles
dias...

bj

Talita Prates disse...

Poetisas
e suas 'feminilices'.

Muito bonito, Lou!

Bjo, e paz.

Lou Vilela disse...

Agradeço a todos pela presença e leitura atenta. É sempre um prazer recebê-los!

Abraços,
Lou

Kanauã Kaluanã disse...

Hoje, pelo Dia da Ciança no Brasil, venho deixar este texto com laço de fita para a mulher que sempre terá uma menina guardada, Lou:

"Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece. O mundo pra mim é grande, não entendo como moro em um planeta que gira sem parar, nem como funciona o fax. Verdade seja dita: entender, eu entendo. Mas não faz diferença, os dias passam rápido, existe a tal gravidade, papéis entram e saem de máquinas, ninguém sabe ao certo quem descobriu a cor. (Têm coisas que não precisam ser explicadas. Pelo menos para mim). Tenho um coração maior do que eu, nunca sei a minha altura, tenho o tamanho de um sonho. E o sonho escreve a minha vida que às vezes eu risco, rabisco, embolo e jogo debaixo da cama (pra descansar a alma e dormir sossegada). Coragem eu tenho um monte. Mas medo eu tenho poucos. Tenho medo de Jornal Nacional, de lagartixa branca, de maionese vencida, tenho medo das pessoas, tenho medo de mim. Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos dormem e acordam, nunca sei a hora certa. Mas uma coisa eu digo: eu não paro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre questiono se você está feliz, se eu estou bonita, se eu vou ganhar estrelinha, se eu posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim. Não gosto de meias-palavras, de gente morna, nem de amar em silêncio. Aprendi que palavra é igual oração: tem que ser inteira, senão perde a força. E força não há de faltar porque – aqui dentro – eu carrego o meu mundo. Sou menina levada, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu... Escrevo escondido, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando doi, choro quando não doi. E eu amo. Amo igual criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. A-M-O. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Sem censura. Quer me entender? Não precisa. Quer me fazer feliz? Me dê um chocolate, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira bonita pra me fazer sonhar. Não importa. Todo dia é dia de ser criança e criança não liga pro preço, pro laço de fita e cartão com relevo. Criança gosta mesmo é de beijo, abraço e surpresa."

(Fernanda Mello)

Beijos desta outra menina que adora brincar aqui!

Katyuscia.