quinta-feira, 1 de abril de 2010

Caminho in-verso

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A Cavalcanti
 e 
 àqueles cuja sina assassina:


Nas mãos, falta-me o poder  de cura; 
sobra-me o meu grito mudo.



vida parida às avessas
ré confessa, embrulhada
manto sombrio

vida que revolve as entranhas
fere, mata 
todo dia

vida seca, desfolhada
arrematada com o brio
de quem ressuscita
[façanha de ser-tão]
e deixa seus frutos


Lou Vilela


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20 comentários:

J. disse...

Aborto póstumo!

Beijo, Lou.

Lara Amaral disse...

"Vida parida às avessas,
ré confessa, embrulhada
em manto sombrio."

Sem palavras para dizer o que sinto, pois uma só palavra sua diz mil coisas... palavra só, mas bem acompanhada por seus artifícios de poetisa.

Beijo, moça!

Assis Freitas disse...

Lou a imaginação voou longe nesse caminho in-verso e suas ambiguidades. Cheiro

Mai disse...

Em teus últimos versos uma garganta entoa a paixão e uma vida severina.
bjo, Lou,
Boa Páscoa!

Úrsula Avner disse...

Belo poema Lou... A "sede" andou fluindo por aqui também... Mais um versejar repleto de simbolismos e belas metáforas. Bj,

Úrsula

Sylvia Araujo disse...

Lou,
Você desnuda as palavras e seus descaminhos de uma maneira ímpar. O bom é que, secas ou desfolhadas, as suas palavras sempre deixam seus frutos em mim.

Beijoca e muitos chocolates pra nós, porque a vida que fere, também afaga. Ainda bem!

BAR DO BARDO disse...

Dói.

Lou Vilela disse...

Juli, um termo forte.

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Larinha e Assis, muitas vezes as palavras não se limitam às margens.

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A vida intriga e apaixona, Mai.

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Sim, Úrsula! A sede, a aridez, o ser-tão fluem sempre - metafóricos ou não, acompanham-me desde os primeiros passos poéticos.

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Henrique,

Dor reflexa.

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Beijos meus caros e uma Feliz Páscoa a todos!
Lou

Adriana Godoy disse...

Forte e dói, como diz o Bardo. beijo.

Graça Pires disse...

"Vida que revolve as
entranhas: fere, mata
todo dia." A vida de todos. A minha vida.
Um beijio e uma Páscoa com Amor.

Helio Thompson disse...

Pois é, já foi dito, mas repito.
Com poucas palavras se pode passar muita intensidade. Foi o que comprovei, ao ler o seu poema.
Eu tb sou assim, pá pum, sem perder muito tempo.

Parabéns.

Helio

Wania disse...

Lou

"Fazer-se chuva" a cada dia... [façanha de ser.tão]

Único caminho in-verso que sobrevive a esta aridez!




Um Páscoa linda pra ti e todos os teus,
Bjs

evandro mezadri disse...

Brilhante como sempre Lou.
Grande abraço e sucesso!

Adriana Karnal disse...

Lu, querida,
lindos versos, como sempre nos resenteia.FEliz Pácoa pra ti!

Sylvio de Alencar. disse...

Um arremate com brio, é sempre bem vindo.

Um poema que pega a gente, sem dúvida.

Mirse Maria disse...

Lou!

Belo presente de Páscoa aos seus apaixonados leitores como eu!

A aridez e as metáforas de uma verdadeira Paixão!

Beijos

Mirse

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Venham frutos no Ser-tão, a despeito de tudo... :D

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Venham frutos no Ser-tão, a despeito de tudo... ;)

Matéria Escura disse...

sola de pedra

suely disse...

Lou, muito belo o seu poema!
Valeu, prima!