sexta-feira, 23 de abril de 2010

O violeiro e a dama

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Violeiro, estou de passagem.
Trago a dor imbricada à saudade;
Um traçado de versos, uma lente;
Um punhado de terra, um repente.

Trago lembranças de lume:
Um torpor que inunda o peito;
Motes que me lançam sujeito
Em choro, em riso desfeito.

Demorei decidir a partida
[Tantas as guerras vencidas
No improviso, na lida sem nome:
Mãos que se uniram na fome].

Violeiro, estou de passagem.
Trago lembranças de lume:
Demorei decidir a partida
Cortejando paixão severina.


Lou Vilela

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15 comentários:

Leonardo B. disse...

[como se fora canção antiga, palavra nobre do muito Dom Quixote]

um imenso abraço, Lou

Leonardo B.

Leonardo B. disse...

[como se fora canção antiga, palavra nobre do muito Dom Quixote]

um imenso abraço, Lou

Leonardo B.

Assis Freitas disse...

Quisera eu ter acordes para embalar esta canção. Curvo-me respeitosamente à dama. Cheiro

Matéria Escura disse...

fadomúsicado
navioladeira

nina rizzi disse...

uau, boníssimo. dos melhores que li aqui, moça. beijos.

Adriana Godoy disse...

Muito bom, Lou, dá vontade de cantar. Bj

Mai disse...

E de passagem vaga o lume, as lembranças de lume onde vaga o vagalume. Um repente dos bons numa viola sonora. Eita vida severina...

beijos, Lou
bom final de semana.

BAR DO BARDO disse...

De repente, a poesia se fez...

Zélia Guardiano disse...

Lindíssimo poema, Lou!
Forte e, ainda assim , terno.
Parabéns!
Um abraço

Fiquei felicíssima ao encontrá-la entre meus seguidores! Uma honra para mim...
Obrigada!

Almeida Lucius ™/ Ulisses Reis ®/Heleno Vieira de Oliveira disse...

Vim te visitar e degustar tua poesia e deixo um carinho em forma de pequenas rimas e que seja um fim de semana de obras-primas, beijos !!!

Curvas e canção

Violão de madeira, Dama inteira
Na saudade só tem felicidade
Uma lente grande angular
Onde faço meu som viajar
Punhado de terra e mar
À noite vaga-lumes a piscar
O amor no peito molhado
De tanto a Dama amar
De madrugada te acordo
Pois no violão as cordas
São vibrações dessa noite
De paixão
E nele canto você com rimas
Mal construídas é pobre minha
Severina
E agora estou de partida
Levo as curvas tuas na
Lembranças
E uma canção que sempre será
Tua

Ulisses Reis®
23/04/2010

Lara Amaral disse...

A viola é sempre companheira do choro.

Beijo!

Fátima Campilho disse...

Adoro a cadência das quadras.
Leio com da sotaque nordestino minha mãe alagoana.
Abraços

Juan Moravagine Carneiro disse...

Bela dança com as palavras...

Jorge Pimenta disse...

de passagem... com as memórias na bagagem... se não é disso que somos feitos...

Beijinho, Lou!

Mirse Maria disse...

Belíssimo, Lou!

Uma verdadeira canção num piscar de luzes-vaga-lumes.

Beijos

Mirse