sábado, 17 de julho de 2010

Metamorfose



Bruno Lopes - Libertação e ilusão, esferográfica sobre papel


A madrugada pariu bichos e uivos.

Pelas frestas, via-se a timidez da luz
contracenando com opulente sombra
: três metros de projeção e indecisão.

Salvava-lhe os olhos, verdes, a quase
perdida esperança de um corpo
alienígena em adaptação.

Lou Vilela


.

13 comentários:

Ribeiro Pedreira disse...

os gemidos que rasgam a madrugada se escondem no amanhecer em forma de silêncio.

Bjs!

Mirze Souza disse...

Bonito, Lou!

Uma metamorfose, às vezes é necessário!

Parabéns,

Beijos

Mirze

Solange Maia disse...

gosto do que nasce dess mistura de luz e sombras...

beijo

Lou Albergaria disse...

"A madrugada pariu bichos e uivos..."
Que verso intenso! Estou com ele ecoando em minha mente até agora.
Maravilhoso poema e o desenho também absolutamente instigante.

Parabéis por seus escritos! Belos escritos e sentimentos!

Beijos!

Lara Amaral disse...

Ainda há a cor para tanta sombra.

Genial poema!

Beijos.

Assis Freitas disse...

instigante essa profusão de-forma,

cheiro

Úrsula Avner disse...

Oi Lou,

lindas metáforas que transcrevem de forma poética as transformações humanas e a busca da perfeição... A imagem é bela e lembrou-me o estilo de pintura de Frida Khalo que tão bem representou nas telas suas dores, suas mutações físicas e psíquicas. Bj,

Úrsula

AC disse...

Por mais bichos que vejamos ou uivos que sintamos, é sempre reconfortante, mesmo que camuflada, vislumbrar a sensação única da esperança.

Bom domingo.

Yan Chaparro disse...

o corpo que deflagra os objetos postos em linha.

francys disse...

Costumo dizer que é na madrugada que a metamorfose sempre acontece ... no silêncio onde alguns dormem e muitos se transformam.
Beijitus

Jorge Pimenta disse...

sabes que a metamorfose de kafka é dos livros que mais me marcaram... mais que a ideia da adaptação, choca-me a ideia da desvalorização das pessoas, quando deixam de ter préstimo, ao ponto de as deixar decair para níveis de desumanidade/"desanimalidade" que roçam o absurso. alegórico, no mínimo.
um beijinho, lou!

Talita Prates disse...

Kafka ao avesso.

adorei, Lou!
(como não poderia ser diferente...)

bjo, queridíssima!

ótima semana.

Talita.

dade amorim disse...

Um poema de metáforas e sentidos poderosos, Lou.

Beijo beijo.