sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sertão in.verso



Mulher de chita, fotografia e gravura digital de Lilian Goulart/2010


Era tanta vida ali guardada
Aos poucos em silêncio trans.bordava
A menina de memória refazia-se
Em soluços que o vento sequestrava.

Fez da vida germinada em sua gente
Um jardim fecundo abastança
Irrigou o Ser-tão cantou Gonzaga
Catou seixo comeu palma ordenhou cabra.

Colheu pé de menino em terra seca
Fez do sol uma clave em sua alma
Do luar um manto puro simples
Do poema um latão cheio de água.

Aprendera desde cedo que a poesia
Abriria a porteira de sua casa
Enfeitou-se de chita e alpercatas
Seguiu a galope em suas asas.

Lou Vilela

2 comentários:

Marcelino disse...

Que texto bonito, hein? Forte, bem escrito, a própria feitura do texto lembra a mulher sertaneja. Há tantas referências possíveis porque trata-se de um poema rico em intertextextualidade: do Luar do Sertão ao Pavão Misteryoso, muita literaura tem espaço nesses 16 versos. Parabéns, poeta!

Julia disse...

belo, belo, tudo o que aqui se encontra (arte que é surpresa, conhecimento de causa, vida que trans.borda :) grata!