sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Antipoema para olvido

Gustave Doré - A Divina Comédia


Chega o dia em que se percebe que não há pausas.
- Como tratar as feridas?
 
O mundo é um rolo compressor.
- É preciso agilidade para não ser esmagado.

E tudo tem um preço.

Os medos crescem:
lida-se com a violência, com a intolerância, com o desamor;
o sumo da bestialidade, a fera de cada um.

Os bolsos vão-se esvaziando.
Sim, há um preço [e um risco].

Com_tudo há também o arco, a flecha [o impulso]
e quintanares de possibilidades
além do excremento humano.

Lou Vilela
.

9 comentários:

Wilson Torres Nanini disse...

Lou,

ótima constatação!

Viver é realmente muito perigoso!

Mas há os alentos: a poesia, por exemplo, nos permite ser lúdicos sempre.

Forte abraço!

carmen silvia presotto disse...

Há Quintanares em possíveis idades sempre às mãos que escrevem e amam...

Um beio grande, sempre carinho e desejo de bom final de semana.

Carmen.

Anônimo disse...

Gosto sempre de estar por aqui. Defino medos, acalmo dores, sorrio até...
Ana Ribeiro

Aline disse...

ótimo
texto para uma tarde de sábado.

belo!

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Maravilhoso! Forte, denso, profundo!

Fouad Talal disse...

estamos mesmo na lama Lou. me faz lembrar o nosso Josué de Castro, no livro Homens e Caranguejos contando a história dos corpos dialeticamente construídos e destruídos no caldo lamacento dos manguezais...

belíssimo texto!
beijo.

RICARDO disse...

Lou

Excrementos a parte, viver é uma incógnita de possibilidades...

Muito bom!

Abraços
Ricardo

dade amorim disse...

Riscos, perdas, impulsos – taí a vida neste mundo.
Beijo pra você, Lou.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Lou,
Quintanares de possibilidades: até
Drummond as quereria, sem sombra de nenhuma nuvem...

Abraço mineiro,
Pedro Ramúcio.