quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O som dos becos

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A lua invade, obscena.
Corpos dançam esquinas iluminados
por fachadas de néon. Serão tragados
à voracidade dos segundos.

Trôpegos passos tintos misturam-se 

aos ratos - exalam chorume. 
O quadro realista instila acidez, 
cospe a mão que o pintou.

Na sacada, mãos e vozes se abafam em comunhão
com olhos surdos. Aguardam a chuva cair, lavar
as calçadas antes do amanhecer. Seus bueiros
engolirão os notívagos acordes.

Lou Vilela


 
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12 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

De volta as noites de boemia e de taberna... :) Belíssimo texto, Lou... dançante e musical, nunca trôpego, como os seres da noite...

Leonardo B. disse...

[letras que de tantas linhas e entrelinhas, se pode ler a partir de qualquer verso: a poesia é feita desta forma]

um imenso abraço, Lou

Leonardo B.

Assis Freitas disse...

Tudo o que eu vejo é o beco: ecos de Bandeira. Evocação. Abraço.

Adriana Godoy disse...

becos sempre podem trazer poesia...lindo poema. beijo

Lou Vilela disse...

Francisco,

Gosto da noite, mas as atividades diurnas regem meus ponteiros. rs

Beijos

Lou Vilela disse...

Leonardo,

Agradeço pela leitura atenta. Normalmemte, você encontrará essa característica em meus textos - muitas entrelinhas.

Abraços

Lou Vilela disse...

Ecos assim, são sempre bem vindos, Assis. ;)

Beijos

Lou Vilela disse...

sim, Dri... há beleza até nos becos!

Beijos

Úrsula Avner disse...

Belo e profundo Lou... Acho que o "som dos becos " tem muito a ver com o meu " visão de mundo " lá no Sempre Poesia... Bj.

BAR DO BARDO disse...

lindo. ponto.

Ernâni Motta disse...

Lou, mais uma vez, estou me valendo do seu talento para dar um pouco de lirismo ao meu blog. Estou reproduzindo este seu poema, hoje, ok? Obrigado, pela compreensão.
Beijos

Lou Vilela disse...

Meus caros,

Agradeço os gentis comentários.

Sintam-se abraçados! ;)