segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Embrulhado em papel de pão

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Tomei um porre na esquina
Daquele que entroncha o sujeito
Senti o ar rarefeito
Formigamento na mão
Fiz uns versos, umas rimas
Esvaziei o segredo
Trancafiado no peito
Cuspido em papel de pão

Empolgado, dei vexame
Subi no banco da praça
Declamei com água nos olhos
Pra quem só fazia achar graça
Aqueles versos na mão
O papel todo amassado
Ali desvendava o mistério
Eu, homem sério
Trôpego de paixão

Quem não conhece essa flor
Desdenha de minha dor
Oferece remédio
Mulher cheirosa, fogosa
Que geme o nome da gente
Mas minha paixão renitente
Prefere ranger o dente
Cuspir em papel de pão

Quem sabe um dia ela ouça
Meus versos, minha prece
Sorrindo, logo se apresse
Cuspa em papel de pão
Um bilhete mais que sentido
Dizendo que de ouvido
Soube de minha paixão
E aceita casar comigo

Lou Vilela
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Poema inédito para miúdos, aqui. De hoje até a próxima terça, também estou no Maria clara: simplesmente poesia. O poema não é inédito, mas quem quiser reler é só clicar aqui.

Um grande abraço a todos!


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16 comentários:

Eder Asa disse...

Lou,
Me emocionou e me surpreendeu.
Porque tive que reler várias vezes para ver de verdade a Lou do poema.
Que estranho (e belo) dom de ser uma diferente a cada poesia!

Um poema que não se compra em padaria (apesar de ser um sonho rsrs)

Sou fã!

Carol disse...

Adorei! Lindo! Lindo! Tomara que seja aceito...rs

Luiza Maciel Nogueira disse...

mas que coisa mai bonita, o amor em forma de poesia e confissão!

bjs!

Assis Freitas disse...

embrulhado em papel de pão, o alimento de toda a vida, lembrou-me o projeto Pão e poesia em BH, uma padaria resolveu publicar poemas nos sacos de pães, junção de dois alimentos elementares,

cheiro

Lara Amaral disse...

Adorei o cordel! Super criativo.

Beijos.

Mirze Souza disse...

Muito LINDO!

Tal como Eder, fui reler para saber a autoria. Isso que é ser poeta.


Adorei esse papel de pão.

Beijos

Mirze

Jorge Pimenta disse...

registo popular com um misto de intelectualidade e sensacionismo. de cordel, apenas o mote... a essência está para lá do mero pedido de casamento :)
assim se faz boa poesia. e se não és mestra nisso, ufa!
um beijinho, lou!

Wania disse...

Lou

Para a boa poesia nem hora, nem lugar...o que existe são as palavras querendo voar...

Bonito cordel!
Bjs

Graça Pires disse...

Um poema diferente dos que costuma fazer mas cheio de sentido... Gostei muito. Um beijo.

Cavaleiro Andante disse...

Vc queria casar porque estava bêbada ou estava bêbada porque queria casar?
Dai Ò Pai...
a poesia nossa de cada dia
no papel de pão da padaria
inté

Paula Czar disse...

Muito Legal!!!
Visite também.

Beijos.

Rodrigo Passos disse...

linda poesia, gosto do gosto de sua palavra!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Andei ausente por falta de tempo

desculpa

abraço

Lua Nova disse...

Em papel de pão, alimento para a alma, mais que essencial.

Ave, poetiza! Traz nas mãos a alma, que escorre pela pena em vôos de colibri, colhendo o mel das palavras...

Te admiro.
Beijos.

Lou Vilela disse...

Olá, caríssimos!

Infelizmente, não estou tendo condições de responder aos comentários individualmente. Deixo aqui os meus agradecimentos pela leitura atenta e pelo carinho. Espero, quando a "chuva" passar, aparecer com mais frequência.

Um grande abraço,
Lou

Ira Buscacio disse...

Lou,

Cheguei aqui através de amigos e adorei o lugar.
Colhi belas poesias... volto pra colher mais.

Bjs