sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crisântemos

Chrysanthemum coronarium


I
Nos anos em que somos rendidos
Depositamos nas gavetas os retalhos
Histórias alfinetadas
Colchas artesanais
O cetim das causas perdidas

II
Se a alma está de luto
A vida perde momentaneamente o sentido
Lembro-me de sempre querer acordar

III
Quando o vermelho se esvai
A escrita embrutece
Perpetua a faca
E o corte profundo
Na garganta

IV
Mas o sol pontualmente cumpre o seu papel
Seca o tempo de ausências

Lou Vilela

3 comentários:

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

Lara Amaral disse...

Nossa, intenso... O desfazimento dos trapos, das memórias. Belo poema!

Verso Aberto disse...

seria sina do vermelho
este lento desbotamento?

abs