sábado, 13 de setembro de 2025

Amor de avós


                    Para Gabriel, nosso Jardim de Amor!



Amor de avós é jardim,

beleza, poesia, tempero,

cheirinho de alecrim.


É balanço, aconchego, emoção,

puro zelo em forma de oração.


É chamego, brincadeiras, histórias sem fim,

é espantar o medo –

avós são uma espécie de querubim.


Alquimia, presença, pensamento.

Avós florescem, transbordam, transcendem

amor genuíno, encantamento.


Lou Vilela


sábado, 2 de agosto de 2025

Luto(s)

Gentes em luto,

em cura,

em surto.

Logo eu — pronta a suportar,

a oferecer um ombro, um abraço, uma escuta,

a me desdobrar —

precisei, eu mesma,

recalcular:

o tempo,

o espaço,

o ser.

Urge a vida a se mover.

Calo,

e o silêncio ecoa

em paredes tão próprias

e já definidas.

Quisera eu assim.

Mas nada é para sempre —

nem as paredes.

Calo,

e o silêncio reverbera.

Já não há mais paredes.

Há algo orgânico,

amorfo,

assíncrono.

Há passado,

presente,

desejo —

um relicário que carrego

pra não esquecer.

Mas, para ser,

há de se morrer mil vezes.

Desreconhecer.

Luto(s): do outro, de si, do status quo.

— Lou Vilela