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sábado, 2 de agosto de 2025

Luto(s)

Gentes em luto,

em cura,

em surto.

Logo eu — pronta a suportar,

a oferecer um ombro, um abraço, uma escuta,

a me desdobrar —

precisei, eu mesma,

recalcular:

o tempo,

o espaço,

o ser.

Urge a vida a se mover.

Calo,

e o silêncio ecoa

em paredes tão próprias

e já definidas.

Quisera eu assim.

Mas nada é para sempre —

nem as paredes.

Calo,

e o silêncio reverbera.

Já não há mais paredes.

Há algo orgânico,

amorfo,

assíncrono.

Há passado,

presente,

desejo —

um relicário que carrego

pra não esquecer.

Mas, para ser,

há de se morrer mil vezes.

Desreconhecer.

Luto(s): do outro, de si, do status quo.

— Lou Vilela



quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Ciclo das águas


mergulhar os pés
de mansinho
tocar a alma
não desisitr
chover o mundo

Lou Vilela


* 📷 arquivo pessoal 

.


terça-feira, 15 de junho de 2021

Mergulho



não repare nessa timidez 
de tempos em tempos, até parece 
desenvolta
se mostra 
sobre as coisas
e morre mil vezes 
submersa

Lou Vilela
.

📷 arquivo pessoal 

quarta-feira, 27 de março de 2019

Agulhas e linhas

nada entendia de tramas
toda ferida doía
quando ousava remendá-la
mas era o jeito possível
de sobreviver

Lou Vilela

quarta-feira, 6 de março de 2019

Vidas que insistem

escrevi algumas dores
frágeis construções da alma
são tantos os abismos
[im]possíveis

alguns silêncios de algibeira
a flacidez moldável
da ética e da moral
a fome e o prato social

famílias empanadas
empenados horizontes
perdidos, achados
laudas sem fim

mas sempre há um ponto
onde o ar é mansuetude
e a pausa permite-se

Lou Vilela


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Trabalho delicado

preparava café, labirintos
semeava flores e alma
em terreno arenoso
às vezes brotava

Lou Vilela

terça-feira, 12 de junho de 2018

Antropofágica


capacidade de comer
na carne 
poesia inteira
e, pasmem
gozar
sobrevivente
na cara desta sociedade hipócrita


Lou Vilela