Tem poema meu no Balaio Porreta 1986 - no. 2778, de 09/09/09.
Obrigada, caro Moacy, pela oportunidade de figurar ao lado das feras que compõem o seu porretíssimo Balaio!
Abraços,
Lou
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Escritos em diferentes datas.
Espelho baço
Imagem distorcida?
Marcas de risos e choros,
histórias de vida.
Porvir
lembranças a pairar
destino incerto.
Viagem*
desde a partida,
cicatrizam as feridas.
Dama de negro*
sem argumentos
leva-nos um pedaço
A lágrima
Cadê a criança?
O tempo matou!
Cultivo
à espreita:
terra sulcada para nova colheita.
Dor
leva consigo queixumes:
deixa sua marca!
Momento hedonista:
sussurro da chuva
carinho das cobertas
sedução das letras
Mente
insubordinada
dissipa-se
da razão
Lou Vilela
Para José Vilela “in memoriam” *
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Gente que merece castigo
gente que merece perdão
se tudo é relativo
como julgar a questão?
Tantos crimes cometidos quanto castigos
tantas rezas quanto sermões
e há aqueles que intermedeiam
todas as negociações.
As dividas são pagas
o devedor perdoado
mas eu ainda questiono
a origem do pecado.
Alguns me respondem de lá
que é uma convenção
adotada de boa fé
pelos denominados cristãos.
Sendo de boa fé
assumo o pecado, aceito o perdão
mas se não for pedir muito
não quero intermediação.
Escrito originalmente em 04/12/ 07.
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Os meus longes traduzo
em versos infiéis
: são livres sem julgo
sussurros do vento
que prenhe esvazia.
Os meus longes de água
molham a face e buscam
o reflexo.
Lou Vilela
Hoje é dia de Maria...
Maria dos morros dos velórios
das sacadas das calçadas
dos achados dos perdidos
da Maria-vai-com-as-outras
e da outra, a que fica
Daquela Maria que almeja
paixão preguiçosa
que mexe remexe acomoda
(não se atreve ir embora)
traveste-se em amor
Também da Maria-abismo
antro de perdição
Maria-bordô!
Da Maria de encantos mil...
Maria-rosa chocolate
branco neve algodão doce
Maria-espinho
Importada nacional
acadêmica analfabeta
executiva piloto de fogão
Maria do príncipe
(futebolístico ou não)
Maria que ama Maria...
Daquela que crê que reza que implora
que vai à igreja que despacha na esquina
que não dá bola
Maria da fome, dos talheres de prata
erudita popular
(“ir-me-ei...; toma lá da cá!”)
Maria boêmia abstêmica
avião balão
Maria, Maria...
Bruta lapidada
peçonhenta panaceica
(dese)equilibrada
puta indissoluta
(r)evolução estelar
Todas belas, todas manias
com ou sem cria
Marias emoção!
Sim, todo dia é dia de Maria!
que tomba levanta que sonha
que cala, das vozes-maria
Maria (im)perfeição
Maria poesia
- Ave, Maria!
Lou Vilela
* Adaptação de imagem by Lou Vilela
** Poema publicado no Maria Clara: simplesmente poesia.
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"Os grandes artistas são aqueles que
impõem à humanidade a sua ilusão particular"
(Guy Maupassant)
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forje-se pelo sim, pelo não
cavalgue pastos invisíveis
a caminho
escancare a boca
engasgue cuspa engula
vida
barro é moldável
[e assa e trinca e quebra]
Lou Vilela
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Aprumou o aríete e
golpeou a vulva da noite.
Não houve remorso
só um riso sarcástico
subscrevendo o poema.
Lou Vilela
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Pelas paredes
minha boca teu ouvido.
Em ponto alocêntrico
nossos umbigos
em pleno onanismo.
Lou Vilela
Nota:
Diálogo com o poema "Umbigo", de Henrique Pimenta.
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Gostaria de lhe falar, Senhora,
desta agonia
[macho quando chora].
Usei terno, crucifixo, patuá...,
mas empaquei
- tal qual jumento -
sem conseguir me aprochegar.
Restam-me letras tortas,
uma viola,
um chifre de touro brabo...
muita ladainha para o meu
Padim Ciço escutar
e o mote, Senhora,
que me inspira até hoje
e que eu suspeito, ai-me-acudam,
que a Senhora vive a espreitar.
Êta vida besta!
Lou Vilela
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Paixão
: todas as estações
[em profusão e confusão]
em pleno inverno suspiros verão
nas roupagens folhas secas
no peito primavera
no trilho louca.motiva
cem vagões descarrilados
e um apito lunar
Lou Vilela
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Não há asas tardias
em tardes de revoada.
Vão-se as aves
- eis a vida! –
restam penas.
Lou Vilela
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