A lâmina que suporta
[mais ávida, a língua]
desliza em zigue-zague
risca-me as vaidades
e as entranhas.
Lou Vilela
terça-feira, 19 de novembro de 2013
domingo, 3 de novembro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
Ausência
Os sinos, as casas compunham
o tempo, sem eira nem beira
pedaços de nós, de feiras;
fornadas de pães.
Pudessem, indagariam o vento;
reivindicariam os meios;
rasgariam as folhas.
As palavras silenciam,
mas não adormecem.
Lou Vilela
o tempo, sem eira nem beira
pedaços de nós, de feiras;
fornadas de pães.
Pudessem, indagariam o vento;
reivindicariam os meios;
rasgariam as folhas.
As palavras silenciam,
mas não adormecem.
Lou Vilela
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Temporais do absurdo
quem chorará meus mortos
[perquiriu o personagem de patins
sobre a via esburacada]
quando me couber sorrir?
quem chorará a relva
atrasada no caminho?
os apressados a pisoteiam
os aluados a referendam [mas não cuidam]:
uma relva estática na folha
simbolizará o mundo?
quem chorará meus mortos
temporais do absurdo?
Lou Vilela
sábado, 14 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Poema sem título VIII
Multipliquei-me
para me sentir,
Para me sentir,
precisei sentir tudo.
(Álvaro de Campos)
bela e terrível
aquela expressão de assombro
invasão das camadas de incêndio
tudo era pouco, rude
um pulsar alegórico
de ausências
Lou Vilela
terça-feira, 30 de julho de 2013
Dos cantares
canto, pois, à despedida
em versos inexatos, em vão
obscuro, canto!
porque o momento é tênue
e a vida, sábia
sabia
sabiá
sabia
sabiá
Lou Vilela
* Mais um poeminha que estará no Livro da Tribo, edição 2014/2015.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Bordado
riscou-me, vazio inclemente
até que a morte nos cinja ponto a ponto
celeste, azul puro, expoente
Lou Vilela
até que a morte nos cinja ponto a ponto
celeste, azul puro, expoente
Lou Vilela
sábado, 29 de junho de 2013
Poema sem título VII
Arte de Fátima Queiroz
Pensava na opulência dos dias laranjas
Em meio aos cinzas
No ir e vir, na urgência
No desmantelo social
A cor em sobressalto
Alerta nada convencional
Pensava nos laranjas
No planalto endossado
Adoçado, lubrificado
Comendo a comoção nacional
E alguma gente que vai às ruas
Que vai às redes, mete a boca
Panfleta, esbraveja, mas não demove
(in)decisão, paletó, bicho-de-pé.
Lou Vilela
* Um dos poeminhas que sairá no Livro da Tribo, edição 2014/2015.
domingo, 9 de junho de 2013
Felicidade gutural
Pierre Bonnard 1941 Le Nu Sombre
bem quis
foi metáfora
impressionismo, demão
alargado sentido
asa
entre a.corda e o pescoço
Lou Vilela
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Relógio
Louise Bourgeois
era quase hora
saberia do canto, da robustez do diafragma
do espaço ocupado por coisas inúteis
dos segredos de cofre
em dedos de ébano e marfim
era quase hora
a palidez tamanha
na possibilidade corpulenta de um sim
o relógio desgastaria a máscara
resistência
era quase hora
Lou Vilela
sábado, 6 de abril de 2013
A dança das pedras
Trabalho do artista plástico Marcantonio*
à parte o silêncio, é sabido
as pedras compõem
sob ciclos
o movimento
Lou Vilela
* "Exposição de artes plásticas ocorrida no Centro Cultural Correios no Rio de Janeiro, entre Maio e Abril de 2009. Trata-se de um trabalho do artista plástico Marcantonio, desenvolvido a partir da gravura "Melancolia" do artista alemão Albrecht Durer, que viveu no século XVI."
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Linhas da metrópole - cena II
Imagem de arquivo pessoal
o cão aproveita tempo ameno
fecha os olhos, adormece
não se percebe sereno
o homem observa, tem a posse
do cão, do espaço, do 'close'
e almeja bem maior
passa o tempo, a cena não acomoda
o cão, impassível, sai -- levanta
toma água, fareja, morde a calma
lambe, resoluto, aquela cara
Lou Vilela
terça-feira, 2 de abril de 2013
A_cor_da poesia
Vie Dunn-Harr
nos dias azuis pintavam
alguns retratos
rugas (im)perfeições
solas de sapatos
tudo em cores.
Lou Vilela
quinta-feira, 28 de março de 2013
Prelúdio para a salvação III
Graça Martins
vestiu aquelas cores
arrebatados verões
entre o nu e o parapeito
ousou, pistilo e nuvem
Lou Vilela
domingo, 3 de março de 2013
Sob a última camada de silêncio
.png)
Serhiy Reznichenko
pode ser que um dia me encontres
sob a última camada de silêncio
legitimes nossas feras
gozos e signos, amor
persigo as luas
alguns versos
um copo cheio, refratário
sede, espanto
o que estranho por volátil
em meus dedos
maculada, transitória
liberdade
Lou Vilela
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Direção
Graça Martins, “Borderline Case”, 1992
acrílico sobre tela, 75 x 120 cm
acrílico sobre tela, 75 x 120 cm
a vida arde, amor
enquanto compõem os cinzas
reciclam as manhãs de inverno
houvesse seta
singraria espaços
à procura do alvo
despedaçados silêncios.
Lou Vilela
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Carrossel
Guido Boletti
o tempo. remoído
desselará os corcéis
todo vento, todo (a)mar
sob a brandura do instante
nossas pálpebras iluminadas.
Lou Vilela
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
O que há
Exposição “Mar de dentro, mar de fora”, de Eduardo Ferreira.
Tema: "moda sustentável". Foto: Renato Filho.
Locação: Baía dos Porcos / Mar de Dentro – Fernando de Noronha / PE
eu já nem sequer me reconheço
naquele mar de dentro
treze anos se passaram
ainda há pulso. mas há também uma tal
realidade que me engole
Lou Vilela
Pulsa o ventre em:
Baia dos Porcos,
Eduardo Ferreira,
Fernando de Noronha,
Mar de Dentro,
Poesia,
Renato Filho
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Flores de sins
Imagem disponível em: open4group.com.
seguiria tons
partiria assim
blusa branca
calça jeans
sobretudo nós
asas de avião
flores de sins
Lou Vilela
Desejo a todos um Feliz Ano Novo!!
___________________________________________
Curiosidade:1. O azul "simboliza a lealdade, a fidelidade, a personalidade e sutileza. Simboliza também o ideal e o sonho".
2. "O branco transmite paz, de calma, de pureza. Também está associado ao frio e à limpeza".
Informações complementares em: http://www.significadodascores.com.br/
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Boas Festas!
Agradeço o carinho de todos que me acompanham!
Desejo-lhes um Feliz Natal e um Ano Novo de muita paz, saúde e realizações!
Desejo-lhes um Feliz Natal e um Ano Novo de muita paz, saúde e realizações!

Imagem: Jô Oliveira.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Construções
onde não existíamos
éramos nós
[pudesse recriar o tempo
a passos lentos
tingir a_corda
fora e dentro]
espanto
cílios, sobrancelhas
apelos
onde não existimos
somos múltiplos
possibilidades
Lou Vilela
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Parcas e nuvens
aqueles olhos sorriam
(des)fiavam suas histórias
o cerne de amores e outonos
vermelhos
aqueles olhos sorriam
singravam minúcias
arremates de rendas, sianinhas
parcas e nuvens
aqueles olhos...
farol e mar
reflexos de longes
Lou Vilela
domingo, 2 de dezembro de 2012
Cabides de quimeras
The dream main - Tamara de Lempicka
uma delicadeza nada estéril
na seda, o talhe, a mácula
nas mãos, toque e mistério
explosão de sinais
Lou Vilela
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
O poeta e a musa
não me coube perto [sedento]
não me soube mar [em fúria]
era parte, era pulso
era musa
Lou Vilela
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Hoje
Para Assis Freitas e Daniela Delias*
pensei em flores
a mim representam
quando não posso ser asa
rota de colisão
a mim representam
quando não posso ser asa
rota de colisão
visgo, tátil, metaforizada
cá estou, orquídea, lilases
desejo vingado em palmas de mãos
cá estou, orquídea, lilases
desejo vingado em palmas de mãos
Lou Vilela
* Pelos recentes lançamentos dos livros:
Pulsa o ventre em:
Assis Freitas,
Daniela Delias,
Editora Patuá,
Homenagem,
Lançamento de livro,
Poesia
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Alvo
Imagem da internet, sem indicação de autoria.
tão feroz o olhar que atravessa
e conclui.
somos! onde nem mesmo as trincheiras
anteparam.
seguimos, apesar da mira.
Lou Vilela
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Sertão in.verso
Mulher de chita, fotografia e gravura digital de Lilian Goulart/2010
Era tanta
vida ali guardada
Aos poucos em silêncio trans.bordava
A menina de
memória refazia-se
Em soluços
que o vento sequestrava.
Fez da vida
germinada em sua gente
Um jardim
fecundo abastança
Irrigou o Ser-tão cantou Gonzaga
Catou seixo comeu palma ordenhou cabra.
Colheu pé de
menino em terra seca
Fez do sol
uma clave em sua alma
Do luar um
manto puro simples
Do poema um
latão cheio de água.
Aprendera
desde cedo que a poesia
Abriria a
porteira de sua casa
Enfeitou-se
de chita e alpercatas
Seguiu a galope em suas asas.
Lou Vilela
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Sem hora
Imagem sem indicação de autoria.
O poema chegou-me pronto, vermelho
Trazia um brilho no olhar
E nos amamos, tocados
Pela fúria do instante
Lou Vilela
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Crisântemos
I
Nos anos em
que somos rendidos
Depositamos nas
gavetas os retalhos
Histórias alfinetadas
Colchas artesanais
O cetim das
causas perdidas
II
Se a alma está de luto
Se a alma está de luto
A vida perde momentaneamente o sentido
Lembro-me de sempre querer acordar
III
Quando o vermelho se esvai
Quando o vermelho se esvai
A escrita
embrutece
Perpetua a
faca
E o corte
profundo
Na garganta
IV
Mas o sol pontualmente cumpre o seu papel
Mas o sol pontualmente cumpre o seu papel
Seca o tempo
de ausências
Lou Vilela
domingo, 28 de outubro de 2012
Das pedras
Imagem disponível em: http://bibliotecaets.blogspot.com.br/2009/12/livro-antigo.html
houve a inquietação, o paradigma
os senhores de si, de mim
tomos – tombados
nas esquinas
pedras que ruminavam latim
Lou Vilela
Lou Vilela
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Retrô
A experiência é o nome que damos aos nossos erros.
(Oscar Wilde)
calço as minhas luvas
do tempo
um apelo
retrô
visor
Lou Vilela
um apelo
retrô
visor
Lou Vilela
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Psique
Psique, Luciane Valença
quando a percebi
cercania, (es)paço
tudo mudou
o investido, não-dito
soube-se corpo
e alma
alimentamos Saturno
Lou Vilela
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Poesia a mar aberto
Imagem: Fátima Queiroz
Ela alimentava o meu vício
: eu insistia, insistia.
Mal-acostumado, embriagado
repetia-me – um fraco, apaixonado.
Para tê-la em meus braços,
sentia o ópio, pulsava o caos,
vasculhava instantes,
amor sem igual.
Já não importava pagar, ou ser pago;
o risível, o onanismo dos troncos
às copas das árvores.
A louca forjava-me
atitude, possibilidades
: eu insistia!
Lou Vilela
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Dimensões do silêncio
Arte: David Ho
que mistérios tento desvendar
na pedra silêncio?
sob uma fragilidade de dentes
mastigo seu corpo.
Lou Vilela
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O rio que sou
Cada palavra um visgo, uma ponte
neste Capibaribe de quimeras.
Lou Vilela
* Capibaribe vem da língua tupi e significa rio das Capivaras ou dos porcos selvagens. O Capibaribe teve grande contribuição para o desenvolvimento sócioeconômico do Estado de Pernambuco e do Nordeste. Para mais informações, clique aqui.
** Imagem: Pontes da cidade do Recife, registro Sistema Jornal do Comércio de Comunicação.
** Imagem: Pontes da cidade do Recife, registro Sistema Jornal do Comércio de Comunicação.
sábado, 6 de outubro de 2012
Tarde gris
Juan Gris, Self portrait, 1912.
não me tomes por triste quando relato
o meu, o teu -- o nosso cansaço
entrecortado
animosidade gutural
não me tomes por triste
só poeira, olhar alérgico
descompasso
trans.formação
não, não me tomes por triste
cada veio, cada rasgo provém
de um tempo que esfola
e abriga
Lou Vilela
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Último poema
Arte: Fátima Queiroz
este é meu último poema
[todos potencialmente o são]
fica o ranço
dias de chagas
o que haja
até uma nova floração
este é meu derradeiro poema
Lou Vilela
Lou Vilela
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Linhas da metrópole - cena I
Arte: Fátima Queiroz
Uma via marginal sob a mira.
A cidade ensandecida
Troca bala, perdida
Mapeia o sangue coagulado;
Investiga, finca o la(u)do.
Sabemo-nos! –- culpados,
Uma veia (cor)rompida.
Lou Vilela
sábado, 22 de setembro de 2012
Poema sem título VI
é preciso um tanto
de espaço, de espanto,
um silêncio que comporte
todas as línguas.
Lou Vilela
Ilustração: Gina Isabela Davo Bushell
Boas-novas
Estou na GERMINA - Revista de Literatura e Arte e na coletânea Sabiás e Exílios.
Clique nas imagens para acessar.
Pulsa o ventre em:
Coletânea,
GERMINA,
Poesia,
Revista de Literatura e Arte,
Sabiás e Exílios.
domingo, 16 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Poema sem título V
Salvador Dali
arrebatou-lhe o blues
e o olhar primeiro
cravado
além do pêndulo.
onde havia o mar
e os naufrágios da urgência.
Lou Vilela
sábado, 8 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Ser mão
Arte Fátima Queiroz
no silêncio de uma página
um espaço que nos caiba
feito cria, feito casa
[impossível, improvável?]
(s)em perdão:
porque desafiamos o tempo.
Lou Vilela
Lou Vilela
sábado, 25 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Implume
Se eu lembrasse de outros tempos
das épocas em que aqui estive
dos castelos ancestrais
talvez me fosse possível
tocar alguns sinos a mais
julgar esta fome: banal.
Entretanto, no paço inverso
premido
típico
complexo
pululo, sou quase! – instante;
metáfora de manguezal.
Lou Vilela
das épocas em que aqui estive
dos castelos ancestrais
talvez me fosse possível
tocar alguns sinos a mais
julgar esta fome: banal.
Entretanto, no paço inverso
premido
típico
complexo
pululo, sou quase! – instante;
metáfora de manguezal.
Lou Vilela
"Manguezal, também chamado de mangue ou mangal, é um ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestre e marinho, uma zona úmida característica de regiões tropicais e subtropicais. Associado às margens de baías, enseadas, barras, desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias costeiras, onde haja encontro de águas de rios com a do mar, ou diretamente expostos à linha da costa, está sujeito ao regime das marés, sendo dominado por espécies vegetais típicas, às quais se associam outros componentes vegetais e animais". Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Manguezal>. Acesso em: 19/08/12.
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