domingo, 22 de novembro de 2009

Reflexos

.



é esse teu olhar invasivo
que atordoa...

essa tua tatuagem olfativa
que embriaga...

tuas unhas que marcam,
tua saliva que cura.

são os teus trejeitos que ins.piro,
os teus trajetos que invado
entre mentes dentes dedos e falo.

enquanto transbordas
me alago.


Lou Vilela

.

sábado, 21 de novembro de 2009

Falésias

.

Litoral sul da PB - Lou Vilela



Acerca de toda esta erosão
que me penetra os olhos
riso de oceano
encontro terramar...

: solar momento
no qual se inunda
infinito.

Perco-me, desde então.
 



Lou Vilela


.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Baba-de-moça

.



Arte Rafael Nobre - Projeto Raizes



Pele da noite
à flor
açoite!

Lou Vilela




* Baba-de-moça: doce típico da culinária brasileira. "É um dos doces mais tradicionais e requintados, referido desde o Império".


.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Girassóis


.

Corpos paredes lençóis
permissivos.
Sibilam bocas
provocam olhos ouvidos

: pontos encontros de peles pelos
partes intumescidas.

Tudo cala.

A brisa sopra horas vencidas.
Florescência.
O dia amanhece em paz.




Lou Vilela

 


* O mestre Moa plantou algumas sementes de girassol bem aqui. 

. 

Em outras searas

.
Pessoal, hoje tem poema meu no "Maria Clara: simplesmente poesia". Se quiserem conferir, é só clicar AQUI.


Beijos,
Lou
.

sábado, 7 de novembro de 2009

Indulto

.

Ao mergulhar profundidade oceano
O corpo atordoa.

[Minha terra tem coqueiros
E aves de ruma;
Farinha, cuscuz, munguzá;
Folclore, credos, patuás.]

Quando necessário implodo, recomeço.
Visto incansavelmente as peles que me tocam:
Sou uno, sou todos, zé-ninguém
- Sou Poeta!

Ademais, afino-me pelo diapasão dos pássaros.

[Não permita Deus que eu morra,
Sem gorjear.]


Lou Vilela

.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sonhos para pandeiro

.




Meu sonho, meu medo, meu segredo
é partir sem saber se vou chegar
olhar para trás não ter saudades
fechar a porta, o paladar.

Calar e não ter como gritar
é medo, é morte, é sobrevida
é pegar o bonde na esquina
é partir sem saber se vou chegar.

Cruzar asfaltos, oceanos
lamber línguas e sambar
é sonho, é forte, é tempero
salgado-doce ao paladar.

Contar histórias, fim de curso
segredos, mosaicos de uma vida
é sentir-se de novo na colina
é sonhar sem medo, é recordar.

Meu sonho, meu medo, meu segredo
é partir sem saber se vou chegar.

Meu sonho, meu medo, meu segredo
é partir sem saber se vou chegar.




Lou Vilela 



_______________


* Meus caros, peço desculpas pelas raras visitas que tenho conseguido fazer aos blogs que sigo. Espero que o temporal passe logo! Abraços em todos.

.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Bastidores


.

Aquele bloco carnavalesco
bem se adequa às minhas fantasias
[pomposas fantasias]
brilhos, lantejoulas, paetês
um bastidor sacrificado
muito suor de ofício
nada remunerado
moto-contínuo paixão.


Instantes de glória, eu sei
pés pelas ruas da cidade
gente aplaudindo, dançando
risos de material reciclado
púrpuro desespero remendado.


Aquele bloco sou eu
estandarte em punho
humildemente perfeita
em meu apogeu
sobriamente desfeita
quando a realidade bafeja.


Lou Vilela

 .



terça-feira, 20 de outubro de 2009

Além do sutiã

.



Arte: Rafael Nobre



Sonhava-me liberdade,
necessária, controversa,
clara pele da noite.

Sonhava-me coragem,
camuflado medo,
na escuridão de um sim.

Sonhava-me puta
no calor, no afã
e santa ao comer a maçã.

Sonhava-me o direito
com ou sem sutiã
de rasgar rótulos.



Lou Vilela





segunda-feira, 12 de outubro de 2009

mais um...


Meus caros,

Hoje tem um poema meu no "Maria Clara: simplesmente poesia". Se quiserem conferir é só clicar aqui.

Beijos,
Lou

domingo, 11 de outubro de 2009

Labirintos II

.

Picasso - Mulher ao espelho


Entre um devaneio e outro enveredo por um labirinto de sensações. Percebo a proximidade do monstro fabuloso! Desesperadamente, tento encontrar o caminho, mas a cada passo o temido monstro se materializa. Sinto a sua respiração ofegante cada vez mais próxima... Em um lampejo de lucidez surge, no espelho, o reflexo. Enfim, a saída!


Lou Vilela



Este texto também foi publicado no "Blogstórias Essencias", da queridíssima Fátima Campilho, e no "Balaio Porreta 1986", do mestre Moacy Cirne. Obrigada aos dois pelo presente!
.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Além da margem

.



Os poetas que me habitam
ao mesmo tempo me corroem
pela incapacidade de dizer.

Sou! e isso é bem mais
do que cabe em linhas.


Lou Vilela


.

domingo, 4 de outubro de 2009

Limítrofe

.


Era temporada de uivos...
os lobos inquietos a devoravam.

Rasgou o sudário e mergulhou
na densidão da noite
: um ritual de passagem
para a vastidão de ser.


Lou Vilela



.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A lista

.


A folha acabara de se desprender e cair.
Secaria ao sol antes de adubar a terra.


As cinzas que saíram das fornalhas
também flanaram até o chão,
terra que as acolheu sem restrições.


Aos urubus atrozes de pura casta
um sorriso verde.



Lou Vilela


.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nau da vergonha


.

Escravos em um porão de embarcação



Aquele cheiro
[misto de suor e fezes]
me enjoava.
Os grilhões rangiam

ensurdecedores.
Precisava de amanhecer
sacudir em ondas e ser devorado.
Gritar, enfim, liberdade...
Liberdade!


Lou Vilela

.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Esfinge

.


de dentro de um enigma
saem serpentes e ratos
velhos sapatos
olhos vesgos
beco fétido
de bocas escancaradas
decifradas nos escombros.

Lou Vilela

.

sábado, 26 de setembro de 2009

Sangria III


.



Entre cólicas
contorcia-se silêncio
inundava-se poesia.

Foi assim que se soube
ovário e útero.


Lou Vilela



.


Mostra visual de poesia brasileira

.
Meus caros,

Tem poema meu no Mostra Visual de Poesia Brasileira. Convido a todos para conhecerem o espaço o qual, vale salientar, agrupa uma belíssima mostra do trabalho de Artur Gomes, grande poeta, ator e produtor.

Artur, para mim foi uma honra ver um poema meu publicado em um de seus espaços literários!

Abraços a todos,
Lou Vilela

.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Herança

.


Minha consciência deserdada
de lugar-comum
vaga no limbo das escolhas.


 Lou Vilela

.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nerudianas

.


Prefiro que não, amada.

Para que nada nos amarre
que nada nos una.

Nem a palavra que aromou tua boca,
nem o que não disseram as palavras.

Nem a festa de amor que não tivemos,
nem teus soluços perto da janela.

Amo o amor dos marinheiros
que beijam e se vão.

Deixam uma promessa.
Não voltam nunca mais.

Em cada porto uma mulher espera:
os marinheiros beijam e se vão.

Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar.

(Pablo Neruda in Crepusculario)





Seria tua musa desde que
aprendêssemos a roçar
minha língua tua língua
envolvidas nesse mar.

Envolvidas nesse mar
suculentas nerudianas
mil histórias duas bocas
minha língua tua língua

alagadas tateando
aprendêssemos a roçar
enviesadas declarando.

Seria tua musa desde que
duas línguas um destino
soubessem conspirar.

Lou Vilela





* Este poema foi publicado no blog "Mostra visual de poesia brasileira".


.

sábado, 19 de setembro de 2009

Rameira



 .

não dá bandeira
arroz-feijão em abundância
carne às sextas-feiras
aos domingos se redime.


Lou Vilela

.

* Em homenagem ao blog "putas resolutas", pilotado pelas poetisas Líria Porto, Roberta Silva e Nina Rizzi.

.


domingo, 13 de setembro de 2009

Rasif


Imagem pertencente aos arquivos da UFRPE



Arrebenta em minhas coxas tua ira
Lambe-me em espumas prateadas
Soube-te cárcere menina
Desde cedo arrebatada.


Tua essência miscigenada
Teus batuques apogeu
Tua história flamulada
Sonhos em braços de Morpheu.


Singram-te os cantadores
Violas apaixonadas
Sabem-te Veneza Brasileira
Homens de verbo e de enxada.


Oh! Rasif querido
Razão destes versos dedicados
Abraça-me até que naufrague
De amor em tuas águas.



Lou Vilela




* Rasif : origem árabe do nome Recife.

** O título homenageia Recife e faz inferência ao livro Rasif: Mar que arrebenta, do pernambucano ganhador do prêmio Jabuti 2006 Marcelino Freire.




__________________


Este poema foi publicado no blog de "Ernâni Motta".


..

sábado, 12 de setembro de 2009

Exorcismar


.

a língua sangra
indizíveis porquês

refaz-se lâmina d’água

pulsa contundente reflexa
a_ponta atravessa
provoca desliza...

incita grito selvático
entre coxas

a língua conjura


Lou Vilela
.
.
.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"balaiando"

.

***

Tem poema meu no Balaio Porreta 1986 - no. 2778, de 09/09/09.

Obrigada, caro Moacy, pela oportunidade de figurar ao lado das feras que compõem o seu porretíssimo Balaio!



Abraços,
Lou

.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Um conto sem réis


.


Naquele pardieiro
ecos paredes rachadas
de risos de bocas
esfomeadas
vazamentos incontidos
profundo (a)mar


Lou Vilela





* Réis: para saber mais clique  aqui.

.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

(de)canto

.

***
***

um canto
forçado
quebrado
(en)canto
doído
manto
fluído
espanto


Lou Vilela


.
.

domingo, 30 de agosto de 2009

Era uma vez...

.

Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido

(Ferreira Gullar)





Melhor assim!
Cedo ou tarde
me seria necessária.
Quero um vestido
de manhãs ensolaradas
e sapatos alados.




Naquela noite
serviram-se do melhor vinho da adega.

Era cedo, muito cedo para embriaguês.
E tarde - indiscutivelmente tarde -
para qualquer barulho.

Balbucios distraídos renderam-se
a Baco e a noite, silente e cálida,
pariu suas estrelas, testemunhas
de mundos distintos sem chão.




Espantei os fantasmas
destilei cicuta
um cretino
instigando, dis.puta!

Era tarde, chorei...
exorcismos, re.versos
ao avesso me vi
divino-perverso.

Mergulhei em esgoto
quebrei o mosaico,
uma vida fingida.

Cedo ou tarde, parti...
na mala um uivo
e um punhal
de saudades.



Era uma vez...




Lou Vilela
Recife, 29/08/09



.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Portal do Escritor Pernambucano

.

Meus caros:


Dia 27/08 foi lançado o Portal do Escritor Pernambucano, projeto idealizado por Raphaela Nicácio – jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural e editora responsável pelo Portal.


Tive a grata satisfação de ser mencionada em uma das matérias inaugurais, denominada ”Literatura em Rede” - na citação do Ritmos e Rimas, um dos blogs que produzo, e do Maria Clara: simplesmente poesia, blog administrado pela poetisa e professora Hercília Fernandes, onde colaboro juntamente com outras vozes femininas.


O Portal é um espaço muito rico e oferece, inclusive, a possibilidade de participação àquelas pessoas que desejarem publicar os seus trabalhos. Vale a pena divulgar o site - mais um canal em prol da literatura.



Um grande abraço,
Lou Vilela

.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Caí" no Balaio

.

Caros amigos,

Estou no Balaio Porreta 1986 - no. 2765, de 27/08/09. Quem tiver disponibilidade, passa lá para prestigiar o mestre Moacy.

Abraços,
Lou

.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Poetrix

.

Escritos em diferentes datas.



Espelho baço


Imagem distorcida?

Marcas de risos e choros,

histórias de vida.



Porvir


Gente a velar

lembranças a pairar

destino incerto.



Viagem*


As noites se seguem...

desde a partida,

cicatrizam as feridas.



Dama de negro*


Soberana

sem argumentos

leva-nos um pedaço



A lágrima


percorre o rosto...

Cadê a criança?

O tempo matou!



Cultivo


Futuro promissor

à espreita:

terra sulcada para nova colheita.



Dor


Efêmera,

leva consigo queixumes:

deixa sua marca!



Momento hedonista:


sussurro da chuva

carinho das cobertas

sedução das letras



Mente


insubordinada

dissipa-se

da razão




Lou Vilela





Para José Vilela “in memoriam” *


.

domingo, 23 de agosto de 2009

Poema primitivo

.
Imagem by Lou Vilela





* Esse poema "caiu" no Balaio Porreta 1986 - no. 2765, de 27/08/09.

.