terça-feira, 18 de maio de 2010

A dor do poeta


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O desavisado poeta
quis escrever
sua poesia mais bela.

Lembrou dos jardins
da lua, do sol,
do mar, do amor.

Em vão o poeta
quis escrever
sua poesia mais bela.

Os motes lembrados
não inspiraram
o poeta a compor.

Vagou sem destino
a buscar pelas ruas
sua poesia mais bela,

até que um dia
encontrou no caminho
sua amiga, a dor.

O desavisado poeta
percebeu de repente:
não basta querer.

Com a dor que o afligia
quis escrever,
pariu sua cria.

Agora carrega
impressa na alma
sua poesia mais bela

Lou Vilela


* Texto republicado.
.

7 comentários:

Hercília Fernandes disse...

"Faço da minha dor beleza"... (H.F.)

Que dor é essa que o poeta diz ou finge, verdadeiramente, sentir?...

Sim..., Lou, no universo da poesia as sensações são mesmo temporais. O vento vem: corrói, destrói e reinventa a linguagem, a vida.

Bonito texto. Parabéns!
Obrigada pelas visitas.

Abraços,
Hercília F.

Marcelo Novaes disse...

Poeta, poeta desavisado...
Não adianta caçar matéria ( isso é pra repórteres...). Não adianta querer flagrar fotogramas ( no máximo, servem de ignição para o que já mora dentro, e arde dentro...): isso é para fotógrafos.
Deixe o poema ser
parido. Ou pousar no
ombro dolorido. Por
entre escombros.


Obrigado por poder ler-te. É um prazer comentar.



Beijos,



Marcelo.

Fernando Martinez disse...

muito bonito e realístico

Jorge Pimenta disse...

curioso o princípio existencial que assegura que a felicidade se constrói na base do infortúnio. tantos são os exemplos... os próprios românticos cultivavam a imagem de desenquadramento, descuido pessoal, incerteza amorosa... não sou tão ortodoxo, mas sempre admito que a palavra desliza melhor nos carris da dor e da mágoa do que nas calhas da felicidade. no meu caso, pelo menos.
a propósito, os manic street preachers têm uma música em que, a dada altura, dizem "i'm happy being sad".
um beijo, lou!

A.S. disse...

Lou...

Essa é a sina do poeta!!!


Beijos
AL

Assis Freitas disse...

a dor do poeta é sempre um próximo parto, cheiro

Mai disse...

Da prenhez ao parto, a poesia sempre dói quando se esvai.

beijos

P.S.

Não me apareceram no painel esses teus tres poemas que comentei agora.